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SIGAM OWEN, POR FAVOR!
Mauricio Pandolphi (*)

 

Há quase dois séculos o inglês Robert Owen, fundador do cooperativismo moderno, lançava alguns dos princípios básicos que deveriam nortear o sistema sócio-econômico que ele acreditava ser capaz de provocar uma “transformação radical no caráter dos homens”. Entre esses princípios estava a necessidade de se formar uma opinião pública favorável ao novo sistema.

Passados todos esses anos parece que, pelo menos em nosso país, essa proposição de Owen não tem sido nem compreendida nem colocada em prática.

Vitorioso em grande parte das ações implementadas durante mais de um século, tendo se tornado fundamental para a economia nacional, nosso cooperativismo jamais obteve, entretanto, espaços adequados na grande mídia, que permitissem uma melhor divulgação de seus objetivos e realizações, e que, ao mesmo tempo, impulsionassem ainda mais seu desenvolvimento e o fortalecessem politicamente.

As ações realizadas na área da comunicação social ao longo dos anos foram, no mais das vezes, isoladas e circunscritas aos limites de cada organização.

A produção de pequenos jornais e revistas próprios, atividade mais comum às cooperativas, tem sido realizada de forma isolada, sem conexões nacionais mais sólidas, que possibilitem maior destaque à divulgação do sistema cooperativista. Quanto às publicações de âmbito nacional, mesmo constatando-se a existência de algumas delas, percebe-se, todavia, que são limitadas em termos de distribuição e de linha editorial, com tiragens muito aquém do necessário, quando não de vida efêmera.

Quanto ao acesso ao rádio e à televisão, a precariedade das ações já implementadas é ainda mais visível. Normalmente tem sido realizados programas em âmbito micro-regional, com altos custos de produção/veiculação e parcos recursos para fazer frente a eles, o que geralmente inviabiliza a própria continuidade de tais iniciativas.

Assim, é inegável que o movimento cooperativista ressente-se, e muito, da ausência de espaços permanentes na mídia. E mais: no mundo globalizado em que vivemos hoje é absolutamente necessária a existência de sólidos e regulares processos de comunicação entre as instituições e a sociedade, sem os quais as primeiras isolam-se, limitam-se e tem sua própria sobrevivência ameaçada.

O cooperativismo brasileiro parece insistir em falar para si mesmo, enquanto o restante da sociedade continua a ignorar o que ele é exatamente e o que representa para o desenvolvimento do país.

É preciso, em conseqüência, que se desenvolvam ações objetivas que possibilitem maior acesso à mídia. Uma solução viável é a ocupação de espaços próprios mediante parcerias com veículos de comunicação já existentes, sejam eles públicos ou privados, de pequena ou grande abrangência. Uma simples coluna especializada em cooperativismo, publicada regularmente em um jornal de circulação aberta, pode representar um grande avanço no sentido de tornar o cooperativismo mais compreendido, apoiado e até desejado. É necessário, além disso, integrar de alguma forma os esforços realizados isoladamente.

Robert Owen foi certamente um visionário, capaz de se antecipar ao seu tempo. Que nós, profissionais da comunicação social ligados ao cooperativismo, recuperemos o tempo perdido.

 

(*) Jornalista profissional especializado em rádio e televisão, professor de jornalismo, cooperativista e diretor executivo da RCE.



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